Feito é melhor que perfeito?

Chegou o momento de criar sua grande obra.
Está tudo em seu lugar: bloco de papel A3 de 150 gramas novinho, lapiseira pentel 0.9 com grafite azul, estojo nunca aberto de canetas staedtler, pincel winsor & newton número 2 com a ponta perfeita, uma bela luminária com luz led, prancheta trident com o ângulo do tampo ajustado da melhor forma possível. Tudo está no seu devido lugar!
Você confere se o celular está desligado: ok! Olha para os lados e se lembra que ainda são 8:00 da manhã e tem o dia todo para se dedicar ao seus desenhos. E que nada, nem ninguém, vai te interromper: hoje é o grande dia! Você finalmente vai desenhar…
E o dia passa.
Agora 10:00 da noite. Você terminou a primeira página da sua grande obra. Orgulhoso, levanta-se da cadeira para ver de outro ângulo seu grande feito. E você olha.
Olha e vê agora desse posição que tem um pequeno erro de proporção no primeiro quadro. Mas tudo bem, é só usar aquela tinta guache branca, procurar uma ou duas referências e tudo certo.
Olhando mais atento, você começa a ver outros pequenos “equívocos”. Dois, três, quatro, cinco detalhes para consertar. Talvez mais duas horas de trabalho resolvam.
Mais duas horas? A dúvida começar a invadir sua cabeça: “melhor seria refazer essa página”! Sua obra prima não poderia começar com uma página tosca como essa. Seria motivo de piada! Erros tão básicos…
Pronto. Você caiu na armadilha da perfeição.
E agora você irá refazer seu trabalho até que ele esteja, ao menos aos seus olhos, perfeito.
Você pode fazer isso, ou pode aceitar suas limitações como parte de quem você realmente é. E encarar os trabalhos como fotografias da sua trajetória de crescimento dentro da forma de expressão que escolheu para se comunicar.
Ambos caminhos são válidos. Mas a escolha é só sua!

Começando pelo final

Estou testando criar os enredos pensando primeiramente no final. O fim da história é o resultado das conquistas ou não das necessitados do protagonista. Começar a história de forma retrospectiva dá um senso de necessidades narrativas, quais cenas apresentar antes, o quê destacar, o que incluir, o quê omitir. 

Algumas vezes me deparei com esse tipo de conselho nos manuais de roteiro, mas geralmente eles não me convenciam da utilidade desse trabalho retrospectivo. No livro do Ryoki Inoue (Vencendo o desafio de escrever um romance), há uma passagem na qual o autor fala desse artifício de maneira clara e sem grandes dogmas ou mitificações. 

Próxima história em gestação

A virose passou. Aprendi com ela tanto quanto com a experiência do inktober, que foi um ótimo desbloqueio criativo.
De volta aos desenhos, comecei a elaborar uma nova história curta. Acho que vou insistir no formato pela possibilidade de tentar algo novo sempre.
Dessa vez vou postar ela aos poucos, na maneira que for fazendo. Vamos ver se funciona bem.

Inktober 31

Não é o melhor desenho que fiz para o inktober, mas é o que consegui fazer doente. Feito. Desafio cumprido. Me ausento até me recuperar, e voltaremos com a programação normal desta casa. Com algumas novidades. Até! 🙂

Inktober 30

Virose monstro tentando me impedir de completar o inktober. Vou resistir. Ainda hoje posto o último desenho.