Turbulência

Troquei de emprego e, por isso, o tempo dedicado aos desenhos diminuíram bastante. Mas, com um pouco de organização, creio que chego a um ponto de equilíbrio. Tenho lido alguns quadrinhos antigos e estudando alguns materiais teóricos sobre desenho. Preciso de um upgrade nos desenhos se quero desenhar uma história longa. Tempos turbulentos.

Indústria

Giancarlo Berardi, roteirista da J. Kendall, em uma oficina que ministrou no FIQ-BH (não vou me lembrar qual, acho que foi em 2007 ou 8), falou sobre a forma de produção dos quadrinhos da Bonelli: um roteirista (ou equipe coordenada por um) desenvolve vários roteiros de uma revista/personagem, mais ou menos ao mesmo tempo, há vários desenhistas desenhando (cada um em seu canto) um número daquele título que serão lançados mensalmente em sequência. Como os títulos são mensais, ficaria inviável um único desenhista fazer 90/100/150 páginas em tão pouco espaço de tempo, por isso vários desenhistas trabalhando simultaneamente, cada um se dedicado a uma edição daquela revista. É uma cadeia produtiva. Ele descreveu como funciona aquela indústria em específico. Acho importante ter em mente para qual “indústria” estamos trabalhando. Saber como ela funciona, quais os parâmetros de qualidade exigidos e as recompensas que você pode esperar em troca. Muita frustração e desperdício de energia pode ser evitado sabendo onde estamos ou pretendemos atuar.

Quadrinista da meia-noite às seis

Meu cronograma para desenhar o primeiro álbum de Nora Pipe é bem elástico, mas ele existe e pretendo cumprí-lo. Estou encarando este projeto como o início de minha carreira como quadrinista. Meu objetivo é produzir álbuns com cerca de 80 a 100 páginas trazendo histórias completas. Nora Pipe será uma pequena série de 3 volumes independentes (que serão, possivelmente, publicados pela internet em uma periodicidade que ainda não sei mensurar). Como ser quadrinista é minha identidade secreta (exercida principalmente da meia-noite às seis), meu objetivo é aprender a otimizar meu tempo para fazer essas histórias longas. Preciso ganhar velocidade e melhorar meu traço, esse é meu principal objetivo no momento.

Cintiq e prancheta

Tenho medo de transformar esse espaço em algo cheio de futilidades e lamentações, por isso me contenho às vezes na hora de postar algo. Mas, dessa vez não vou me conter: instalei minha cintiq em um notebook sobre minha velha prancheta. Ficou muito mais confortável de se desenhar, ainda ganhei um espaço extra para trabalhar (ou para deixar uma xícara de chá a postos) pois a prancheta é imensa comparável a mesa do meu desktop. Talvez poste alguma foto no futuro. De qualquer forma, amanhã não tenho desculpas: aos desenhos!

Amazon e o mercado de livros

Se eu fosse dono de editora estaria com medo do futuro. O Kindle Direct Publishing acaba com o intermediário entre autor e leitor. Claro que há muitas variáveis para o sucesso ou não de um livro. Mas acho que podemos estar caminhando para um mercado editorial semelhante ao da música. E o formato impresso? No mercado americano, a Amazon já possui um sistema de impressão por demanda que, creio, pode chegar ao Brasil. Já no mercado nacional há a algum tempo a Bookess que, atualmente, integrou seu catálogo a loja digital da empresa norte americana.

Treinos

A ideia é começar a encher páginas com rascunhos. Já viu um guitarrista iniciante treinando escalas até a exaustão? É uma boa analogia.

Marcatti e sua offset

Comprei um desses leitores digitais e até que estou gostando de ler livros nele. Mas quadrinhos ainda acho desconfortável devido ao tamanho diminuto da tela. Talvez nos maiores seja mais confortável. Entretanto, na contramão desse mundo digital, o grande Marcatti comprou uma offset e está publicando novamente seus quadrinhos por conta própria. Veja aqui a entrevista feita pelo programa HQ Além dos Balões.