Ponto de partida para histórias de FC e Fantasia

Um drama humano forte e consistente, um problema sério que seja importante para o personagem, vai moldar suas ações e decisões ao longo da história, vai movê-lo para dentro da aventura são, como todos sabem, elementos fundamentais de uma narrativa.

Porém, ao pensar em uma história de Ficção Científica, Fantasia ou Terror, o autor deve em primeiro lugar pensar no conceito, mecanismo, mundo, teoria ou fato horripilante que irá abordar. Nesse tipo de história, o personagem vai vivenciar determinado fato extraordinário, sendo o fato em si o principal ponto de partida do autor.

Não quer dizer que os personagens são menos importantes. Pelo contrário, todas as histórias são, em sua essência, sobre experiências humanas, e os personagens são nossas janelas para essas experiências e emoções. Mas em histórias de “gênero”, o suposto fato extraordinário é, em si, elemento fundamental e definidor.

 

Dica de sites sobre escrever

Gosto muito do Dicas de Roteiros, recomendo-o inteiro. Há poucos dias conheci o Escriba Enapuzado e projeto ‘7 coisas que aprendi’, que reune dicas de vários nomes da literatura atual. O melhor texto que li até agora foi da Ananda Santos que está no e-book gratuito que copila os textos antes publicados no site. Há vários outros textos fantásticos no livro eletrônico: vale cada minuto de leitura!

Como andam os projetos

Depois de mais um hiato, um post rápido para registrar os acontecimentos:

1) Fiquei viciado em poker, por três meses, mas já estou curado;

2) Neste meio tempo estudei (material teórico escrito e vídeos tutoriais) alguns fundamentos de desenho, como estruturas básicas, um pouco de anatomia e perspectiva (não tive um grande salto de qualidade, mas abri um horizonte maior, um caminho a ser seguido dentro do meu traço);

3) Pensei em mudar de planos novamente, fazer histórias curtas, ir fazendo e publicando aqui no site e no final juntar tudo em um livro com HQs curtas (como o ‘Crítica’, dos gêmeos, e o ‘Mundo Pet’, do Mutarelli). Por que isso? Para me dar a oportunidade de ver algo pronto em pouco tempo. Está sendo difícil encarar o desenho de Nora Pipe com tão pouca experiência e prática no desenho. Estou enferrujado! Mas no meio do processo de escrever o primeiro roteiro curto, ele se transmutou em algo maior que beira a 60 páginas, tornando-se portanto, um pequeno livro. Acho que não estou formatado para histórias curtas no momento. Vou seguir o fluxo e dar um jeito de transformar meu lado desenhista em um “profissional” ao altura da expectativa do meu lado “roteirista”. O plano é terminar esse roteiro, criar um modo de postar as páginas aqui no site e desenhar em no máximo 1 ano toda a história;

4) Mudei novamente de cidade. Agora tenho um pouco mais de tempo livre para desenhar e minha nova morada tem um pequeno quarto só para o meu “estúdio”. Aos poucos vou me acostumando a me adaptar a novos lugares, mas sinto que sempre serei um eterno estrangeiro;

5) Estou lendo Kafka (Essencial de Franz Kafka), Bukowski (Pulp) e Otomo (Akira).

Turbulência

Troquei de emprego e, por isso, o tempo dedicado aos desenhos diminuíram bastante. Mas, com um pouco de organização, creio que chego a um ponto de equilíbrio. Tenho lido alguns quadrinhos antigos e estudando alguns materiais teóricos sobre desenho. Preciso de um upgrade nos desenhos se quero desenhar uma história longa. Tempos turbulentos.

Indústria

Giancarlo Berardi, roteirista da J. Kendall, em uma oficina que ministrou no FIQ-BH (não vou me lembrar qual, acho que foi em 2007 ou 8), falou sobre a forma de produção dos quadrinhos da Bonelli: um roteirista (ou equipe coordenada por um) desenvolve vários roteiros de uma revista/personagem, mais ou menos ao mesmo tempo, há vários desenhistas desenhando (cada um em seu canto) um número daquele título que serão lançados mensalmente em sequência. Como os títulos são mensais, ficaria inviável um único desenhista fazer 90/100/150 páginas em tão pouco espaço de tempo, por isso vários desenhistas trabalhando simultaneamente, cada um se dedicado a uma edição daquela revista. É uma cadeia produtiva. Ele descreveu como funciona aquela indústria em específico. Acho importante ter em mente para qual “indústria” estamos trabalhando. Saber como ela funciona, quais os parâmetros de qualidade exigidos e as recompensas que você pode esperar em troca. Muita frustração e desperdício de energia pode ser evitado sabendo onde estamos ou pretendemos atuar.