Ser pequeno também é ser grande

Fiquei quase 3 anos tentando fazer um álbum em quadrinhos. Começava e parava. Fazia o roteiro, estudos de personagens, desenhava algumas páginas e acabava abandonando o projeto.

Algumas vezes a desculpa era porque o desenho não estava bom, outras porque o roteiro estava ruim. Aos poucos, percebi que o real motivo era porque não tinha o tempo, a vontade e nem a energia necessária para fazer um bom livro em quadrinhos. No momento em que cheguei a essa conclusão, pensei que era a hora de aposentar meus pincéis.

Nesse período, fiquei algum tempo sem desenhar. Mas percebi que minha vontade de contar minhas histórias toscas persistia. Pra mim é muito gratificante brincar com os personanges, criar seus mundos, suas histórias. Vi que era necessário insistir. Mas agora fazendo quadrinhos de uma forma que fosse viável conciliar com meu tempo curto: fazendo tirinhas.

Acho que desistir de um projeto que não deu certo faz parte do jogo e não é vergonha pra ninguém. Mudar o foco também pode ser uma alternativa viável em momentos de crise. Ficar em cima do muro é que não leva a nada.  (o gif animado é do filme Napoleon Dynamite e veio daqui)

Leituras: Fracasso de Público

Quando mostrei o primeiro número do Fracasso de Público para um amigo quadrinista, ouvi um cometário preconceituoso: “Puxa! Mas esse cara desenha muito mal, por que você está lendo essa merda?”. Realmente, os desenhos não são grande coisa. Mas os diálogos são ótimos!

Os anos passam

Cara, estou chegando perto dos 30. Isso é assustador. Ainda tenho viva a imagem de quando estava prestes a começar o ensino médio, parece até que foi ontem, mas foi há 15 anos! Se minha percepção de tempo se manter na mesma velocidade, amanhã terei 45 e na sexta-feira já estarei aposentado. O único fato que me consola é que a alternativa ao envelhecimento não é nada agradável. Em outras palavras, antes ficar mais velho que morrer jovem.

Uma idéia

Quero experimentar fazer as tiras com enredo. Mais ou menos como arcos narrativos: pegar um tema e seguir ele durante um tempo, desenvolvendo uma pequena trama se possível. Acho que é um bom desafio: não é impossível de ser feito, mas traz uma motivação a mais. O resultado pode ser interessante.

Duas por semana

Semana passada fiz 4 tiras em 4 dias. Na sexta-feira estava exausto e não consegui desenhar (talvez se não tivesse que ter um trabalho formal e apenas desenhasse as tiras a situação não fosse a mesma, mas vamos lidar com a realidade). Por isso, pelo menos por hora, vou reduzir as publicações para 2 tiras semanais. Com esse ritmo mais realista vou conseguir fazer meu estoque de tiras (o que vai permitir ter alguns dias de folga ou ousar em roteiros e formatos mais complexos). Também vou poder fazer algum tipo de atividade física: estou chegando aos 30 e a gravidade tem mostrado seu poder.

Você não precisa

Ninguém precisa fazer quadrinhos. Sério: se dedicar a uma atividade exaustiva e sem perspectivas concretas de carreira é desnecessário. Você gosta de desenhar? Seja ilustrador. Apesar de igualmente exigente e ter um mercado restrito, é concreto a perspectiva de se ter uma carreira (eu sei disso, eu já fui ilustrador). Como ilustrador, basta insisitir, evoluir e aprender. Já como quadrinista, você sempre terá que se sustentar com outro tipo de trabalho, ou então entrar na roda da indústria, sendo apenas um parafuso na engrenagem. Embora realmente acredite nisso eu continuo fazendo quadrinhos. Não por masoquismo. Continuo porque é muito bom! Continuo porque é muito bom viver alguns momentos imerso na realidade dos personagens. Talvez seja mais por isso: acho que as fagulhas de imersão nas histórias são como droga pesada. Com o tempo você acaba viciando. Só resta alimentar o vício.

Cartunistas depressivos

Crumb? Kaz? Angeli? Scott Adams? Sou melhor que esses caras, diz minha mãe. Só gostaria de acreditar nela e espantar toda insegurança. Para tanto entrei na ACDA (Associação dos Cartunistas Depressivos Anônimos) e estou seguindo os 12 passos. Este post é um deles.

Revista Kamikaze

Uma galera legal tem feito uma revista digital classuda, a Kamikaze. Já tinha visto o primeiro número há quase 1 ano e agora acabo de saber pelo Matheus Aguiar (que é mais um desses caras que você vê o trampo e sente inveja) que saiu o segundo número. Quem tá de bobeira passa lá no site da revista e “pegue” a sua.

Composição em tirinhas

Sem pretenção de escrever um tutorial, gostaria de destacar algo que venho observado (e usado) nos meus últimos trabalhos: a relação entre manchas claras e escuras em um quadrinho. Explico: até bem pouco tempo eu tentava entupir todos os quadrinhos com desenhos, pensando que assim estava criando uma composição melhor. Hoje tenho usado uma estratégia diferente, os personagens (ou cenários) ocupam em média apenas 25% da área total de um quadrinho. Também tenho usado somente a metade inferior do quadro para os desenhos importantes.

Manchas dos personagens em relação ao fundo.
Manchas escuras e divisão do espaço nos quadrinhos.

Quero experimentar reduzir ainda mais a porcentagem de manchas escuras nos quadrinhos. Não sei se essa mesma lógica se aplicaria a páginas ou a traços mais complexos. Mas é algo que tem funcionado pra mim: tanto que comecei a rafear as páginas primeiro jogando as manchas pretas, para depois ir detalhando.