Treino

Desenhos do caderninho

Nessa ultima semana fiz um curso de hq ministrado pelo Spacca. Em resumo, aprendi que fazer quadrinhos dá muito trabalho. Hoje terminei a história para Café Espacial, o que foi bom, mas me deu vontade de tentar outras abordagens na próxima (histórias com mais diálogos, quero evitar os monólogos). No momento estou lendo Dilbert e por isso fico com vontade de fazer tirinhas. Também estou jogando Team Fortress 2, o que me dá vontade de não fazer mais nada além de jogar (muito vício!). Vou seguir treinando e fazendo histórias curtas. Tirinhas também!

Café Espacial e Histórias Curtas

Um quadrinho de uma história para a revista ‘Café Espacial’

Estou trabalhando em uma pequena história para a revista Café Espacial (revista pela qual tenho grande apreço). Além dessa, tenho várias idéias que poderiam ser agregadas em uma trama maior. Mas, acho que 2010 será o ano que me dedicarei a histórias curtas! Quero mostrar esses personagens, pequenas tramas, fazer alguns testes e experimentar algumas soluções gráficas. Enredos curtos servem para isso: encontrar novas formas de dizer sua mensagem ou ganhar segurança para alçar vôos maiores. Quem está começando, quem ainda não tem um estilo formado ou fôlego para encarar um projeto grande, deve cogitar a possibilidade de se dedicar às narrativas curtas, pois uma coisa é desenvolvimento da outra.

David B., Chester Brown e Rafael Coutinho

Essa semana está cheia, que bom! Nesta sexta-feira vou apresentar dois capítulos da excelente obra Reading Comics, de Douglas Work, no Observatório das histórias em quadrinhos da USP. São capítulos sobre David B. e Chester Brown, dois caras com um trabalho fuderoso e único. Aprendi muito sobre a carreira dos caras nessas ultimas semanas.

David B. transformou  sua história de vida em uma calhamaço de 360 carregado em preto e linhas poderosas. Chester Brown dá voz a personagens que estão em desacordo com seu contexto social em grids rígidos de 6 quadrinhos por página. São dois monstros naquilo que se propõe fazer.

Claro, não é do tipo de quadrinho que vamos ver na banca da esquina (se bem que o Chester Brown chegou a publicar em bancas durante muito tempo). Mas é sem dúvida dois autores que merecem ser lidos, ainda mais quando tudo indica que o mercado brasileiro de quadrinhos está se tornando cada vez mais autoral.

Falando nisso. Sábado farei a oficina com o Rafael Coutinho justamente sobre quadrinho autoral. Acho que ainda dá tempo de pegar uma vaguinha, olha aqui. Talvez nos veremos lá!

Neste sábado

A livraria HQ-mix virou o ponto alto dos quadrinhos em São Paulo. É uma aventura (uma boa aventura) ir ao centro, passando pela baixa augusta, ou pela república, até chegar a esse reduto dos quadrinhos. Neste sábado vou até lá para o lançamento do Pindura 2010.  Se você tiver um tempinho, passa lá para a gente conversar. (Dia 16 de janeiro, sábado, às 19h30, na Livraria HQmix, Praça Franklin Rossevelt, 142 – Centro, Tel. 11 3258 7740)

Revistas, histórias curtas e Leandra Leal

Três ou quatro assuntos rápidos:

1.

Você deve concordar comigo que os webcomics são uma boa. Então, prometo ir colocando minhas histórias aqui no site/blog, mesmo que elas forem feitas para sairem no papel. É o caso da pequena hq que estou fazendo para a Café Espacial número 6 que logo estará aqui.

2.

Estou sentindo uma necessidade grande de fazer narrativas curtas. Talvez seja uma forma de reencontrar meu estilo, meu caminho, após esses dois ultimos anos tentando fazendo uma história longa.

3.

Quero participar de mais revistas. Talvez fazer uma nova esse ano (ou continuar minha velha).

4.

Nome Próprio é um belo filme Murilo Salles com Leandra Leal que conta a história de uma jovem blogueira intensa cuja vida é sua narrativa. Veja!

Webcomic

Mercado de quadrinhos impressos

Fazer quadrinhos para o papel é quase um fetiche que de todo moleque que cresceu lendo gibi de banca sonha. Mas o mercado de quadrinhos de hoje não é mais como antes (nos anos 80 um título vendia 150 mil exemplares, hoje as editoras se contentam em vender 5 mil exemplares de cada um das centenas de títulos que temos nas bancas e livrarias, ou seja, vende-se pouco, porém a variedade é gigantesca — deram o nome desse fenômeno de calda longa). Não é possível sustentar um artista vendendo 5 mil exemplares de revistas por mês, ou 2 mil livros por ano. É inevitável que o autor nacional se torne cada vez mais alternativo (fazendo pequenas tiragens, distribuindo de forma não convencional), ou migra para mercados onde ainda há uma indústria. 

Livros

Durante o último ano e meio pensei que um caminho viável para produzir quadrinhos no Brasil seria a livraria. Mas só a livraria não basta. Editar 2 mil exemplares (pela Devir) ou 5 mil (pela Cia das Letras), apesar de ter um certo glamour, não resolve a vida do autor muito menos do leitor (você tem apenas álbuns que não rendem dinheiro para quem faz — calcule 10% de 2 mil livros a R$ 30 e chegue a essa conclusão –, e afasta o leitor comum que não está disposto a comprar um quadrinho desconhecido por R$ 30).

Internet

A internet surge como uma via que torna o quadrinho mais barato para o leitor (custo zero), elimina atravessadores (nada de editor, gráfica e problemas de distribuição) e dá ao autor liberdade (quase) infinita. Com a internet uma pessoa é ao mesmo tempo autor, editor e marketeiro de seu trabalho. Grandes poderes, grandes responsabilidades. 

No curto prazo ninguém vai ganhar dinheiro com quadrinho online (afinal, ele é gratuito). Mas no médio prazo, já se tem algumas histórias de sucesso, como PVPonline (cujo autor atualmente vive da própria arte, vendendo livros copilados das histórias que aparecem no site — ah! e por não haver atravessadores, sua porcentagem sobre o preço de capa é de longe mais alta que os autores contratados por editoras, gira em torno de 80% — e uma série de bugigangas). 

Mas não creio que a questão financeira seja o atrativo de se fazer webcomic. Ninguém vai ficar rico fazendo quadrinhos para a internet. E sei que dificilmente poderei largar meu emprego formal sem antes ganhar na loteria. Mas, muito me tem chamado a atenção três fatores: alcance, rapidez e comunicação direta com o leitor.

Alcance: se considerarmos também os usuários de rede pública (lanhouse), o Brasil possui 64,8 milhões de usuários de internet com mais de 16 anos. Rapidez: a publicação é instantânea, não precisa ir para a gráfica e nem ser distribuído. Comunicação com o leitor: o leitor pode opinar a respeito do seu trabalho de forma rápida e direta, sem intermediários.

Gosto de sentir o cheiro do papel e ver meus quadrinhos impressos. Sempre que tiver oportunidade, vou optar pelo impresso (em 2010 tenho dois projetos engatilhados para isso). Porém, não posso fechar os olhos para os webcomics e sua nova maneira de lidar com a publicação, edição e veiculação dos quadrinhos.

O caminho está dado. Só nos cabe ter boas histórias para contar.

Pindura 2010

Saiu o Pindura 2010, o calendário mais louco que você dificilmente irá encontra na papelaria da esquina. Quem quiser o seu é só falar com  a Sarah  e o Daniel. Em São Paulo você pode encontrar o calendário na Livraria HQ-mix (praça Roosevelt, 142). Ainda não sei em qual semana meu desenho ficou, tomara que seja uma que tenha feriado prolongado!

Demônios, menininhas e bandas mortas-vivas

A cada dia que passa, fico mais convencido que o caminho é fazer webcomics (acho que vale a pena eu voltar a esse assunto no futuro, expondo algumas descobertas e conclusões a que cheguei). E, para entrar bem nessa empreita, nada melhor que fazer algo de primeira, caprichado e que seja empolgante para mim e, principalmente, para os meus cinco fiéis leitores.

Estou trabalhando nessa história, que é uma história nova, porém com muitos elementos das histórias que deixei pela metade. Ainda não estou certo quanto ao mundo no qual a trama se desenvolve, talvez será uma terra povoada por demônios, mas é certo que muitas menininhas e um cara depressivo estarão presentes.

Esse post é mais ou menos como um aviso para deixar você tranquilo, e dizer que ainda estou vivo (tocando no assunto, sabe quem voltou a vida? Alice in chains: mais foda que nunca! Se você, assim como eu, já passou dos 25, deve ter ouvido muito essa banda).