Disciplina

Acredito que se você deseja fazer algo grande, que demande esforço pessoal (um livro, por exemplo), você deve cultivar a disciplina. É muito importante ter horários reservados àquela atividade, assim como um operário tem hora certa para bater o ponto e almoçar. Às vezes alguns hábitos interferem nessa disciplina, pequenos vícios que te desviam do foco. Tente identificá-los e corrigi-los o quanto antes. Uma boa técnica é controlar o tempo líquido de atividade. Pegue um papelzinho e vá anotando quanto tempo realmente está se dedicando e desconte sempre aqueles minutos perdidos (banheiro, telefonema, uma espiada no e-mail). Aos poucos, o simples ato de anotar vai te policiando a reduzir as interrupções. É a melhor forma de não se iludir e se dedicar de verdade ao que esteja fazendo.

Enfim, 2009

Mais uma de muitas
Mais uma de muitas

Aproveite esses dias e faça um balanço da sua vida, veja o que está dando certo e o que deve ser mudado. Planeje seu ano, tendo em mente seus objetivos, e trabalhe duro desde já. O ano passado foi bom, mas quero que este seja melhor. Quero melhorar o site e fazer uma publicação para o FIQ deste ano. Porém, meu foco contina sendo desenhar as páginas de “Paura”, meu primeiro livrinho, o início da minha jornada de autor profissional de quadrinhos (tenho trabalho para o ano todo). Também quero tirar carteira de motorista, fazer exercícios regularmente, formatar o computador, viajar, ler mais (a lista é grande).

Você tem que saber onde quer chegar

Ilustração-conceito

Com o roteiro pronto (depois falo mais sobre o que considero pronto), dedico alguns dias (muitos) a buscar aquilo que considero a alma visual da história: a ilustração-conceito. Em ‘Paura’ estava em dúvida se ousava com um estilo mais naturalista (para dar mais peso e credibilidade a história) ou se insistia no meu surrado traço. Para decidir, acabei fazendo muitos testes antes de chegar a essa imagem que sintetizou tudo que eu queria: um estilo de anatomia menos caricatural, traços sem muita variação, olhos vazados e muito contraste com preto. Depois de pronto, coloquei esse desenho-conceito em frente a prancheta: ele vai me guiar, como um farol numa noite sem estrelas, até o fim da história. A caminho é mais curto quando sabemos aonde vamos.

Técnicas que ajudam

A santa trindade: azul, verde e preto
A santa trindade: azul, verde e preto

Tô usando três cores de lapis: azul para o primeiro esboço (mais gestual), verde para definir melhor a cena e preto para fazer o desenho final. A vantagem é que não preciso usar borracha, assim consigo desenhar mais em menos tempo. Vale a pena você procurar novas técnicas ou soluções que melhorem seu desenho, dê mais conforto ou agilidade na prancheta.

Preço, qualidade e quantidade

Não precisa de muito: só um cantinho e muita persistência
Não precisa de muito: só um cantinho e muita persistência

Há muitas editoras publicando quadrinhos (chego a pensar que há mais editoras que autores). O que quero dizer é que publicar ficou fácil, mesmo que você não consiga uma boa editora, há a auto-publicação (impressa ou online). Bem ou mal você consegue chegar ao público. Então o que falta? Faltam trabalhos de qualide, bons preços (poucos são aqueles que vão comprar o primeiro álbum de um autor por R$40 ou R$30, mas vai se arriscar se o mesmo não passar de R$15) e, não menos importante, a quantidade (o autor deve ter o compromisso de publicar sempre, o leitor deve ter a sensação de que uma nova história está sendo feita, e que aquele cara que assina a obra não é um mero quadrinista domingueiro). Em resumo: faça mais, melhor, sempre e barato. Você não precisa de muito para ser quadrinista, basta um cantinho e muita persistência.

Na base da insistência

Dois quadrinhos para registrar

Numa das recorrentes noites de pessimismo me deparei com a seguinte frase: “nada existe tão alto que o homem, com força de vontade, não possa apoiar a sua escada” (Friedrich Schiller). Acho que o maior mal que pode cair sobre um quadrinista é a falta de confiança. Longe do elogio ao otimismo burro, falo da distância entre querer e o fazer. Não há mágica, ou truque para facilitar o caminho. Só há um caminho: fazer sempre. Parece símples, mas é uma tática muito poderosa. Um quadrinista iniciante deve ter em mente somente essa máxima, zelando por cumprí-la sem exceção. Pode-se estabelecer metas de horas diárias, ou por produção (prefiro essa). Só assim se adquire confiança e qualidade. Só há uma forma de se produzir: sempre.

Na prancheta

Depois de vários rascunhos, cheguei a essa forma: poucos traços
Depois de vários rascunhos, cheguei a essa forma: poucos traços

Já tem nome o filho. Tem nome e alguns espermatozódes em busca da procriação. Cansei do roteiro que vinha cozinhando este ano inteiro. Sabia muito sobre a história: e isso, vejo agora, é um erro. Foi natural partir para outra. Ter um início, um final, um personagem ou algum vestígio de como começar já é o bastante. O autor deve ter uma história que possa causar surpresa a si mesmo, pois ele é o primeiro leitor e deve ser tocado por aquilo que lê. Acho que às vezes a gente fica tentando achar respostas pra tudo e não se dá a oportunidade da dúvida. Você sabe como uma boa história deve ser, você sabe como é um bom desenho: isso já é o bastante. (semana que vem coloco algumas páginas de rascunho)

Materiais

Boneco articulado, lápis azul, nanquim e pincel w&n
Boneco articulado, lápis azul, nanquim e pincel w&n 

Para quem sempre não teve dinheiro no bolso, como eu, o preço do material de desenho tem peso na hora da escolha. Estou tentando fugir a regra me equipando com materiais de melhor qualidade e/ou que facilitem meu trabalho. Nessa leva comprei: lápis azul (não precisa apagar, ótimo para fazer os esboços); pincel w&n série 7 (não perde a ponta e faz aquele traço fininho nas pontas e grosso no meio); papel para quadrinhos (da comix, com as marcações de sangria já impresso, mas não gostei, acho que nem vou usar); boneco articulado (muito útil! coloco ele na posição que quero, pronto para fazer um esboço); nanquim fodão para usar com o pincel. Fiz alguns testezinhos e cheguei a conclusão de que o material em si não faz o desenho ficar bom, mas minimiza o sofrimento e dá mais vontade de desenhar: vale a pena!

Links e imprensa

Fui entrevistado pelo Jornal do Campus sobre a “cultura nerd”. Não me acho nerd, mas devo aparentar o bastante para ganhar o título de “nerd a ser consultado”. Sejam lá quais forem as conseqüências (com trema) em minha auto-estima, achei uma boa oportunidade para falar mal da Universidade. Leia aqui. Também veja o blog do Luiz do Mal, ou Lamentável, ou Colápso, e os novos links aqui.

Estilo

Esta é uma tentativa de decifrar meu "estilo"
Esta é uma tentativa de decifrar meu “estilo” 

Acredito que “estilo” não seja aquilo que você queira fazer, mas sim aquilo que você não consegue não fazer. Tire tudo que não gosta, ou que soe falso, o que restar é o seu estilo. Também acredito que ele não seja imutável. Por isso tentei decifrar meu estilo atual com esse “raio-x”. Continuo meus estudos. Até!