Preço, qualidade e quantidade

Não precisa de muito: só um cantinho e muita persistência
Não precisa de muito: só um cantinho e muita persistência

Há muitas editoras publicando quadrinhos (chego a pensar que há mais editoras que autores). O que quero dizer é que publicar ficou fácil, mesmo que você não consiga uma boa editora, há a auto-publicação (impressa ou online). Bem ou mal você consegue chegar ao público. Então o que falta? Faltam trabalhos de qualide, bons preços (poucos são aqueles que vão comprar o primeiro álbum de um autor por R$40 ou R$30, mas vai se arriscar se o mesmo não passar de R$15) e, não menos importante, a quantidade (o autor deve ter o compromisso de publicar sempre, o leitor deve ter a sensação de que uma nova história está sendo feita, e que aquele cara que assina a obra não é um mero quadrinista domingueiro). Em resumo: faça mais, melhor, sempre e barato. Você não precisa de muito para ser quadrinista, basta um cantinho e muita persistência.

Na base da insistência

Dois quadrinhos para registrar

Numa das recorrentes noites de pessimismo me deparei com a seguinte frase: “nada existe tão alto que o homem, com força de vontade, não possa apoiar a sua escada” (Friedrich Schiller). Acho que o maior mal que pode cair sobre um quadrinista é a falta de confiança. Longe do elogio ao otimismo burro, falo da distância entre querer e o fazer. Não há mágica, ou truque para facilitar o caminho. Só há um caminho: fazer sempre. Parece símples, mas é uma tática muito poderosa. Um quadrinista iniciante deve ter em mente somente essa máxima, zelando por cumprí-la sem exceção. Pode-se estabelecer metas de horas diárias, ou por produção (prefiro essa). Só assim se adquire confiança e qualidade. Só há uma forma de se produzir: sempre.

Na prancheta

Depois de vários rascunhos, cheguei a essa forma: poucos traços
Depois de vários rascunhos, cheguei a essa forma: poucos traços

Já tem nome o filho. Tem nome e alguns espermatozódes em busca da procriação. Cansei do roteiro que vinha cozinhando este ano inteiro. Sabia muito sobre a história: e isso, vejo agora, é um erro. Foi natural partir para outra. Ter um início, um final, um personagem ou algum vestígio de como começar já é o bastante. O autor deve ter uma história que possa causar surpresa a si mesmo, pois ele é o primeiro leitor e deve ser tocado por aquilo que lê. Acho que às vezes a gente fica tentando achar respostas pra tudo e não se dá a oportunidade da dúvida. Você sabe como uma boa história deve ser, você sabe como é um bom desenho: isso já é o bastante. (semana que vem coloco algumas páginas de rascunho)

Materiais

Boneco articulado, lápis azul, nanquim e pincel w&n
Boneco articulado, lápis azul, nanquim e pincel w&n 

Para quem sempre não teve dinheiro no bolso, como eu, o preço do material de desenho tem peso na hora da escolha. Estou tentando fugir a regra me equipando com materiais de melhor qualidade e/ou que facilitem meu trabalho. Nessa leva comprei: lápis azul (não precisa apagar, ótimo para fazer os esboços); pincel w&n série 7 (não perde a ponta e faz aquele traço fininho nas pontas e grosso no meio); papel para quadrinhos (da comix, com as marcações de sangria já impresso, mas não gostei, acho que nem vou usar); boneco articulado (muito útil! coloco ele na posição que quero, pronto para fazer um esboço); nanquim fodão para usar com o pincel. Fiz alguns testezinhos e cheguei a conclusão de que o material em si não faz o desenho ficar bom, mas minimiza o sofrimento e dá mais vontade de desenhar: vale a pena!

Links e imprensa

Fui entrevistado pelo Jornal do Campus sobre a “cultura nerd”. Não me acho nerd, mas devo aparentar o bastante para ganhar o título de “nerd a ser consultado”. Sejam lá quais forem as conseqüências (com trema) em minha auto-estima, achei uma boa oportunidade para falar mal da Universidade. Leia aqui. Também veja o blog do Luiz do Mal, ou Lamentável, ou Colápso, e os novos links aqui.