Algumas coisas

Chove no bairro da Saúde. Gosto de tempo chuvoso. Gosto também do frio. Estou frio. E também com um incômodo enorme em minha garganta. Não é pigarro, é uma sonda enfiada em meu nariz que percorre todo meu aparelho digestivo indo até o final do meu estômago. Ela está ligada a um aparelho a tiracolo que mede a acidêz do meu trato digestivo. Talvez eu tenha que fazer cirurgia, talvez não, esse é o objetivo do exame. Horrível a sensação de enfiarem um tubo pelo seu nariz, indo e voltando. Experimente pra ver, o nome do exame é phmetria. Já passei por coisas muito ruins, e esse exame fica fácil dentre as piores. Mais 20 horas com esse tubo e estou liberado. Será um longo dia. Pelo menos está chuvendo, e não precisei ir trabalhar. Yes! Vou aproveitar e tentar colocar algumas coisas em dia.

PS: Apesar do incômodo, na verdade não tenho o que reclamar se eu for considerar as possíveis enfermidades que a genética guarda pra mim nos próximos anos: diabetes (odeio agulhas), enfarte, AVC (posso ficar com o lado direito paralizado, o que me faria aposentar a lapiseira), câncer de próstata (seu tratamento horrível, nem queira saber)  e as adoráveis pedras nos rins (essas já me calejaram, não tenho mais medo).

Vai lá. Que seja. Vamos ao próximo assunto.

Por que você lê?

Ou, por que você escreve? Pensando no assunto, cheguei a quatro motivos fortes: expressão, entretenimento, afirmação e aprendizado.

Escreve por expressão aquele que faz arte, que faz auto-biografia e coloca si próprio como objeto de estudo e análise da sua obra. O leitor, neste caso, é expectador de uma verdade individual, ele quer conhecer aquela forma específica de ver o mundo e, talvez, se ver refletido. A obra fruto da pura expressão não quer agradar, e às vezes nem quer mesmo ser compreendida. Ela tem um fim em si mesma.

Obras que se prestam ao entretenimento também podem expressar o íntimo de seus autores. Mas esse não é o objetivo primeiro: quer-se antes causar no leitor uma sensação. O deleite, o susto ou empolgação do leitor é a finalidade. Neste caso, o artista não se expressa, ele comunica-se e faz de tudo para ser entendido.

Afirmação. Qual o sentido da vida se a morte é o fim inevitável? Todo ser humano busca a resposta para essa pergunta. Há autores que se dedicam a esse tema, assim como leitores buscam respostas lendo e refletindo sobre seus escritos. Aqui entra os artefatos religiosos, de auto-ajuda e filosóficos.

Temos sonhos e queremos realizá-los. Para tanto, há obras que procuram ensinar coisas que nos auxiliam nessa busca. O objetivo claro dos autores e leitores é um só: construir conhecimento.

O que você quer ler? O que você quer escrever? Já pensei que queria apenas me expressar, mas hoje estou mais tentado a dizer que quero me comunicar.

Pindura 2010

A ilustração acima é minha participação no Pindura 2010. O Pindura é um calendário feito pela editora Pegazus Alado, de Brasília. No ano passado as ilustrações retratavam um bar, neste ano a idéia é retratar um peculiar ponto de ônibus.

Impresso, virtual, livro, revista…

Vejo com otimismo três mercados de quadrinhos:

Online: trabalhos na linha de Pvp , com tiras cômico-seriadas, ou séries em quadrinhos (histórias de 5 a 20 páginas mensais, em site que simule uma revista de coletâneas, talvez usando a técnica do “flip“)

Livraria: um quadrinho do Mutarelli publicado há 10 anos ainda pode ser encontrado na livraria ou mesmo em lojas que vendem livros pela internet. Isso não acontece com revistas em banca. Elas logo viram “encalhe” (enquanto o livro é recebe a pomposa denominação “estoque”). Essa relação de maior perenidade e o respeito que o quadrinho em formato livro vem adquirindo nesses ultimos anos, é algo a ser considerado.

Publicações independentes: que se multiplicaram e vem tomando o espaço que Chiclete com Banana e Animal tiveram nos anos 80.

Online

Vou começar a preparar o site para publicar os quadrinhos online. Ainda estou em dúvida, mas creio que o formato de publicação das páginas será uma mistura desse site com este outro. Talvez, por conta dessa mudança, vez ou outra o site fique fora do ar por algum momento. Acho que publicar online possibilita uma troca viva intensa entre quem faz e quem lê. Quero muito explorar isso.