Como andam os projetos

Depois de mais um hiato, um post rápido para registrar os acontecimentos:

1) Fiquei viciado em poker, por três meses, mas já estou curado;

2) Neste meio tempo estudei (material teórico escrito e vídeos tutoriais) alguns fundamentos de desenho, como estruturas básicas, um pouco de anatomia e perspectiva (não tive um grande salto de qualidade, mas abri um horizonte maior, um caminho a ser seguido dentro do meu traço);

3) Pensei em mudar de planos novamente, fazer histórias curtas, ir fazendo e publicando aqui no site e no final juntar tudo em um livro com HQs curtas (como o ‘Crítica’, dos gêmeos, e o ‘Mundo Pet’, do Mutarelli). Por que isso? Para me dar a oportunidade de ver algo pronto em pouco tempo. Está sendo difícil encarar o desenho de Nora Pipe com tão pouca experiência e prática no desenho. Estou enferrujado! Mas no meio do processo de escrever o primeiro roteiro curto, ele se transmutou em algo maior que beira a 60 páginas, tornando-se portanto, um pequeno livro. Acho que não estou formatado para histórias curtas no momento. Vou seguir o fluxo e dar um jeito de transformar meu lado desenhista em um “profissional” ao altura da expectativa do meu lado “roteirista”. O plano é terminar esse roteiro, criar um modo de postar as páginas aqui no site e desenhar em no máximo 1 ano toda a história;

4) Mudei novamente de cidade. Agora tenho um pouco mais de tempo livre para desenhar e minha nova morada tem um pequeno quarto só para o meu “estúdio”. Aos poucos vou me acostumando a me adaptar a novos lugares, mas sinto que sempre serei um eterno estrangeiro;

5) Estou lendo Kafka (Essencial de Franz Kafka), Bukowski (Pulp) e Otomo (Akira).

Turbulência

Troquei de emprego e, por isso, o tempo dedicado aos desenhos diminuíram bastante. Mas, com um pouco de organização, creio que chego a um ponto de equilíbrio. Tenho lido alguns quadrinhos antigos e estudando alguns materiais teóricos sobre desenho. Preciso de um upgrade nos desenhos se quero desenhar uma história longa. Tempos turbulentos.

Indústria

Giancarlo Berardi, roteirista da J. Kendall, em uma oficina que ministrou no FIQ-BH (não vou me lembrar qual, acho que foi em 2007 ou 8), falou sobre a forma de produção dos quadrinhos da Bonelli: um roteirista (ou equipe coordenada por um) desenvolve vários roteiros de uma revista/personagem, mais ou menos ao mesmo tempo, há vários desenhistas desenhando (cada um em seu canto) um número daquele título que serão lançados mensalmente em sequência. Como os títulos são mensais, ficaria inviável um único desenhista fazer 90/100/150 páginas em tão pouco espaço de tempo, por isso vários desenhistas trabalhando simultaneamente, cada um se dedicado a uma edição daquela revista. É uma cadeia produtiva. Ele descreveu como funciona aquela indústria em específico. Acho importante ter em mente para qual “indústria” estamos trabalhando. Saber como ela funciona, quais os parâmetros de qualidade exigidos e as recompensas que você pode esperar em troca. Muita frustração e desperdício de energia pode ser evitado sabendo onde estamos ou pretendemos atuar.

Quadrinista da meia-noite às seis

Meu cronograma para desenhar o primeiro álbum de Nora Pipe é bem elástico, mas ele existe e pretendo cumprí-lo. Estou encarando este projeto como o início de minha carreira como quadrinista. Meu objetivo é produzir álbuns com cerca de 80 a 100 páginas trazendo histórias completas. Nora Pipe será uma pequena série de 3 volumes independentes (que serão, possivelmente, publicados pela internet em uma periodicidade que ainda não sei mensurar). Como ser quadrinista é minha identidade secreta (exercida principalmente da meia-noite às seis), meu objetivo é aprender a otimizar meu tempo para fazer essas histórias longas. Preciso ganhar velocidade e melhorar meu traço, esse é meu principal objetivo no momento.

Cintiq e prancheta

Tenho medo de transformar esse espaço em algo cheio de futilidades e lamentações, por isso me contenho às vezes na hora de postar algo. Mas, dessa vez não vou me conter: instalei minha cintiq em um notebook sobre minha velha prancheta. Ficou muito mais confortável de se desenhar, ainda ganhei um espaço extra para trabalhar (ou para deixar uma xícara de chá a postos) pois a prancheta é imensa comparável a mesa do meu desktop. Talvez poste alguma foto no futuro. De qualquer forma, amanhã não tenho desculpas: aos desenhos!